História da Irmandade Santa Casa de Misericórdia

No ano de 1839, quando grassava no Ceará uma das epidemias de malária, foi aventada a necessidade de construir uma Santa Casa em Fortaleza, mas o plano não foi adiante. Mais tarde a idéia renasce e a Santa Casa é iniciada, mas esteve sempre ameaçada de ceder lugar ao Liceu a ser fundado, ora a Biblioteca Pública, que não tinha ainda na sede. Porém no ano de 1851 ocorreu uma grande epidemia de febre amarela. Sendo precário o estado sanitário de Fortaleza, embora ainda não estivesse concluída a construção, foram abertas duas enfermarias da Santa Casa aos doentes mais carentes,que logo ficaram lotadas. Ainda em janeiro de 1857, o Presidente Província, Paes Barreto, cede as salas e enfermarias para o Liceu, que permanece ali até 1861, quando só então ocorre a inauguração formal da Santa Casa.

A Santa Casa foi construída inicialmente com recursos públicos fornecidos á Província para resolver os problemas advindos da última epidemia de febre amarela. O funcionamento da Santa Casa não era prioritário, sendo o funcionamento da Biblioteca e do Liceu priorizados no momento, devido a uma pressão da intelectualidade e das famílias abastadas, que desejavam ver seus filhos estudando em Fortaleza e não mais se deslocando para outras regiões, principalmente Pernambuco e Bahia, como ocorria até então. A Santa Casa foi inaugurada a princípio com 80 leitos e tinha como mantenedora a Irmandade Beneficente da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza. O Dr. Joaquim Antônio Ribeiro foi o primeiro médico nomeado para trabalhar na Santa Casa, em 12 março de 1861.

Formado em medicina pela Universidade de Harvard, Cambridge,na Inglaterra em1853, foi o autor do "Manual das Parteiras". Nascido no Íco, a 9 de janeiro de 1830 veio a falecer em Fortaleza, a 2 de maio de 1875. Ao iniciar-se o o século XX a Santa Casa de Fortaleza, apesar das dificuldades financeiras, prosseguiu empenhada na árdua luta, visando o melhoramento da trágica situação de saúde do povo cearense. Devido a grande calamidade pública que foi a seca de 1915 a Santa Casa passou a atender uma grande massa de retirantes sofrendo das mazelas da Grande Seca. Dez anos depois da grande seca, a Santa Casa passou a se firmar como um hospital alta tecnologia ao ser o pioneiro no estado na introdução do serviço de radiologia ao inaugurar no dia 29 de junho de 1925 o primeiro aparelho de Raios X.

A Santa Casa muito cooperou para a instalação do primeiro Pronto-Socorro em Fortaleza. Até o ano de 1932, não dispunha de nenhum serviço de socorro de urgência. Pelo espaço de 4 anos funcionou na Santa Casa o primeiro serviço de urgência em Fortaleza, quando em setembro de 1937 foi inaugurado o Pronto Socorro Dr. José Ribeiro Frota. Nos últimos anos da década de 40 a Santa Casa procurou modernizar sua infra-estrutura, visando o grande impulso que viria a ter os negócios da medicina durante a segunda metade do século. Em Fortaleza, os preambulos da fundação da Faculdade de Medicina puseram em atividade a classe médica . As especialidades médicas se aperfeiçoavam com a participação de inúmeros médicos fazendo cursos no sul do pais.

Em 1961, a Santa Casa de Fortaleza completou 100 anos e contava então com 300 leitos e tornando-se um hospital de grande porte. As injeções de morfina e as contenções ativas foram substituidas por anestesias locais e tronculares, seguidas, após, das primeiras anestesias gerais a base de clorofórmio e éter em máscara aberta ou com a célebre Máscara de Ombredane. Em compasso com esta "modernização" surgiu os primeiros autoclaves e máquinas de lavar industrial. Na decada de 70 a Santa Casa passou por profundas modificações em seus estatutos quando foi desligado o Sr. Arcebispo e a Diocese de Fortaleza da gestão da Santa Casa. Em março de 1971 foi inaugurado um moderno centro cirúrgico que em pouco tempo fez com que a Santa Casa fosse o hospital a realizar o maior número de cirurgias em todo o Ceará.

A Santa Casa passou a ser a maior escola prática de medicina no Estado do Ceará que durante todos esses anos tem oferecido ao estudante de medicina, ao médico e a todos os profissionais de saúde uma aprendizagem das mais significativas. Nos anos 80 a Santa Casa passou a integrar um modêlo de atendimento médico baseado no Sistema Único de Saúde – SUS e vivenciar a série crise que a Saúde Pública vem a passar em nosso país. A Santa Casa como um hospital filantrópico passou a sofrer todas as consequências das medidas determinadas pelo Ministério da Saúde. Nesta virada deste século a Santa Casa passa por uma série crise que foi acumulada através dos anos. A atual provedoria tem se esforçado por criar um modelo de gerenciamento onde a racionalidade e as inovações tecnológicas passam a ser os pilares de uma ponte, que vai levar a Santa Casa ao século XXI. Porém, as dificuldadades são muitas e não podemos de forma alguma viver hoje, sem a ajuda de doações, onde o povo do Ceará e principalmente da cidade de Fortaleza tem nos ajudado a manter este hospital funcionando em prol dos menos favorecidos.

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