Cemitério São João Batista
Além de acervos artísticos e culturais, o Cemitério São João Batista também é palco de grandes cenários históricos de Fortaleza.
Histórias do São João Batista...
Além de acervos artísticos e culturais, o Cemitério São João Batista também é palco de grandes cenários históricos de Fortaleza.
Já que o único cemitério de Fortaleza, São Casimiro, estava completamente cheio por ocasião da febre amarela e de outras doenças da época, foi inaugurado no dia 7 de agosto de 1866, o Cemitério São João Batista, para atender às necessidades da cidade.
Após 1870 podemos afirmar que o cemitério viveu seus anos de ouro, pois foi neste período que aconteceram diversos fatos importantes, como o sepultamento de grandes personalidades da história do Ceará. Estando dentre os quais: General Sampaio (1874), participante da guerra do Tuiuti, Caio Prado, governador da Província do Ceará, Maria II, irmã do Imperador D. Pedro II e Barão do Crato (1880). Quanto a este último há uma série de fatos bastante interessantes que se pode narrar sobre suas vidas.
De nome Bernardo Duarte Brandão, falecido em Lisboa a 1880 e transladado pouco depois para sua terra natal, Barão do Crato, como costume da época, foi mandado à Europa para concluir os estudos. E, ao voltar, enamorou-se de sua irmã, Maria do Rosário Augusta Brandão, com quem tentou casar-se, mas tendo a permissão para as bodas negada até mesmo pelo papa. Foi então que ambos fizeram um pacto de continência e fidelidade, permanecendo solteiros até a morte. Depois da morte do irmão, Maria do Rosário deu início a uma importante tradição que se expandiria virando tendência dominical entre as famílias da época.
Começou no dia dos mortos, quando Maria do Rosário com, provavelmente, outras mulheres faziam uma espécie de piqueniques levando seus bordados, crochê e até balaios com galinhas chocas e com pintos que alimentava para, em volta do mausoléu familiar, instalar-se com suas cestas de comida e ali permanecer o dia inteiro orando por seus entes falecidos.
Nesta época, estava acontecendo uma grande disputa de poder econômico entre as elites. E, com a popularização dessa atitude de Maria do Rosário, a necrópole tornara-se extensão dos domínios dessas famílias distintas, que viram tal prática como teia para externar suas melhores condições, através da apresentação de belas e luxuosas capelas de mármore de carrara, advindos de Portugal, Paris, Lisboa e Madri, todas importadas pelo marmorista Frederico Skinner (criador do estilo Skinner de construção tumular obedecendo aos estilos Neoclássico e Neomedieval romântico). Foi dessa época de grandes investimentos nos mausoléus importados que o Cemitério São João Batista herdou o riquíssimo acervo artístico que hoje tem. Por essas e muitos outras histórias, é tão importante abrir as portas de um lugar que respira arte e cultura.



